Uma imagem vale mais que mil palavras, muitas imagens de pessoas individuais ou eventos coletivos ajudam a contar a história da Comunidade. Afinal, lugares são feitos de pessoas e suas histórias. Um fotógrafo é feito das imagens que pode registrar e das muitas histórias que contribui para arquivar.

Certamente você já viu um certo retratista que freqüenta eventos religiosos e culturais do Morro, registrando e vendendo em forma de imagens fotográficas esses momentos que constroem a história do Aglomerado e de seus moradores. Conheça um pouco da pessoa e do trabalho do Du Fotógrafo que há 30 anos captura as imagens do Morro.

Para contrata-lo entre em contato pelos telefones: (31) 9211-0389 ou 3282-8557

Janelas da alma, janelas do Morro

Dizem que os olhos são as janelas da alma. Assim sendo, os olhos que veem por trás das lentes de uma máquina fotográfica teriam o dom de congelar alguns momentos presenciados pela alma do fotógrafo.

Para Manoel Azevedo, mais conhecido como Du Fotógrafo, o olhar através das lentes era primeiro uma paixão, uma curiosidade, um sonho e logo se tornou profissão e fonte de sustento da família. Morador da comunidade desde 1970, há cerca de 30 anos Du registra casamentos, batizados, aniversários e muitos outros eventos dentro e fora do Morro. Lembra do carnaval das piranhas? Pois é, o Du fotografou. “Minha primeira máquina foi uma Kodak 126 amadora. As primeiras coisas que fotografei foram pessoas. Eu não tinha experiência, tirei algumas fotos para saber como iam ficar. Os primeiros resultados não foram bons”, relembra.

A primeira dificuldade encontrada por Du foi a falta de dinheiro para pagar um curso de fotografia. Mas sabem como é, brasileiro não desiste nunca. O jeito foi pedir dicas nas lojas onde comprava os filmes. “Eu perguntava que tipo de filme ia usar para a foto ficar boa. Levou uns seis meses pra eu ficar satisfeito. Até hoje os filmes vem com instruções e foi isso que me ajudou a fazer uma foto boa. Eu usava o diafragma e ia anotando qual ficava melhor”, revela.

Como morador do Morro Du já conheceu e conviveu com muitas outras famílias. Como fotógrafo, eternizou a imagem de muitos bebês que hoje são pais de família e alguns que já se foram ainda na juventude. O fotógrafo diz se entristecer quando vê os jovens de quem há poucos anos registrava o batizado se envolverem com drogas e violência. “Eu fico muito triste. Teve vez de chegar perto de alguns deles e dizer que a vida não é assim. O melhor caminho é trabalhar, viver a vida com dignidade”, aconselha.

Santo de casa também faz fotografia. Nas paredes da casa do fotógrafo encontramos muitas fotos da infância de seus filhos. Entre os trabalhos de Du, dois tiveram um sabor especial: os álbuns de casamento das duas filhas mais velhas. “Eu fiquei emocionado por ter feito o álbum delas. Poderia ter sido uma outra pessoa, fiquei feliz por ter sido eu”, diz orgulhoso.

Quando a luz não é boa, a fotografia também decepciona.

Ao longo da nossa conversa Du contou quatro situações que lhe trouxeram tristeza e alguma decepção com a fotografia. “A coisa que me deixou mais triste foi quando, em um acidente, perdi a visão do olho esquerdo. Deus tira um olho e deixa outro. Ele me deixou o olho direito, o esquerdo era o que eu fechava”, relembra.

Em outros dois momentos foi o equipamento que deixou o fotógrafo na mão. Em uma formatura, Du perdeu algumas fotos porque o filme se soltou na máquina. “O problema maior foi quando fui entregar as fotos e explicar o que aconteceu para as pessoas. As que já me conheciam entenderam. As que não me conheciam acharam que fiz de propósito”, conta.

Em um casamento a máquina deixou de funcionar logo no início da cerimônia. Saíram apenas oito fotos. “Eu liguei pra casa pra alguém levar outra máquina para mim, mas não consegui falar com ninguém. Quando terminou o casamento expliquei pra moça. Quando fui entregar as fotos que ficaram boas ela também me perguntou se não fiz de propósito”, recorda.

Outra situação de constrangimento aconteceu em um batizado. Como estava de camiseta, o padre não permitiu que Du fizesse as fotos. “Tive que pegar uma camisa emprestada com um porteiro. O mais difícil é que esse padre já era um conhecido meu há mais tempo”, diz.

Apesar de tantas situações difíceis Du deixa uma lição importante para qualquer profissional: “o caminho do cara que quer ser alguém, fotógrafo ou não, é o respeito pelas outras pessoas”, ensina.

Quando as janelas se fecharem...

Du se diz ainda um fotógrafo amador apesar dos muitos anos de experiência. Ele reconhece as limitações da falta do curso de fotografia e afirma que seria melhor fotógrafo se conhecesse todas as técnicas e os recursos dos equipamentos.

Sempre trabalhando com muito respeito e dedicação ele demonstra uma certa tristeza ao pensar no dia em que as lentes deixarem de registrar aquilo que seu olho vê. “Vai chegar um tempo em que eu vou ter que parar. E isso será difícil”, suspira.

Conheça o Trabalho do fotográfo Du clicando aqui.

Texto: Giselle Oliveira

 
 
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