Li em algum local que “As manifestações culturais de um povo são as raízes de uma nação, é a sua ‘marca’ e trás consigo as histórias e lendas do seu passado, conscientizando as pessoas do caminho traçado até chegarmos aos dias atuais. Um povo que preserva sua cultura sabe direcionar o caminho a ser traçado e possui identidade própria”. Lindo isso, não acham? Bem, eu achei. E foi pensando nisso que me aventurei na História do Carnaval. Descobri muitos detalhes curiosos, que vão do profano ao sagrado; da Europa à África...
Mas não gostaria de aprofundar aqui nessa parte que, certamente, é bastante enriquecedora para nosso povo. Quero aqui falar dessa expressão corporal que nosso povo apresenta tão bem; do contágio saudável, do refinamento dos movimentos humanos, da convivência gostosa que o prazer de dançar em grupo nos proporciona.
Cada movimento nos bailes, nas ruas, nas praças transmite um pouco do que somos enquanto povo e a forma como encaramos o mundo. Dançar, pular, brincar... bem, não sei ao certo como dizer, mas participar de uma manifestação carnavalesca é uma forma de deixar o corpo falar. E olha como o carnaval, essa manifestação da cultura brasileira (e de todos os países com tradição cristã católica), se apresenta democrático quanto ao ritmo em que seu corpo pode se expressar: samba, frevo, axé, maracatu, timbalada, marchinhas, enfim, são ritmos variados, talvez parecidos, mas que no fundo se parecem mesmo no que toca às emoções que desencadeiam. É uma alegria enorme, onde a grande ordem é divertir-se! Divertir-se, mas com responsabilidade né?!
Dizem que “tudo ta valendo, pois é carnaval”. Não sei se é bem assim não. Será mesmo necessário participar da festa sem roupas? O que importa mesmo é saber qual será a escola campeã? O troféu vale mais do que se divertir com os amigos (ou fazer novos amigos)?
Beber em excesso e provocar acidentes fatais realmente vale a pena? Não respeitar o próprio corpo ou o corpo alheio é mesmo saudável? Hum, não sei não viu. Alguns dizem que sim, pois é carnaval, então tudo pode. Iniciei este texto falando da cultura de um povo e que esta, se preservada, mostra que esse povo tem identidade própria. Se for assim, qual será a nossa identidade? Que bela reflexão, não acham? Quanto a mim, prefiro acreditar que o carnaval é uma festa que possibilita perceber-se enquanto pessoa: pessoa que se movimenta em um determinado ritmo, ou em todos os ritmos ou até mesmo sem ritmo (será possível?); pessoa que usa este evento sem reservas, colocando nele toda a sua ansiedade e excitação ou o usa como um momento tão introspectivo, que se faz ausente da realidade à sua volta. Enfim, o carnaval é, para mim, aquilo que faço dele: um período de intensa atividade, de descontração, de recolhimento, de exaltação, de descanso, de reflexão ou mesmo de fuga.
As possibilidades são muitas, e o que importa mesmo é fazer o que mais nos agrada nesse feriado prolongado.
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