PRÉ-VESTIBULAR COMUNITÁRIO

O Pré-Vestibular Comunitário foi fundado no Aglomerado Santa Lúcia, no dia 20 de Agosto de 2001. Antes dele houveram várias tentativas de implantação de projetos semelhantes que infelizmente não deram certo, em função do alto índice de violência que a comunidade estava presenciando.

De lá para cá, foram muitas lutas e vitórias que envolveram o Projeto. Inicialmente funcionamos em locais diferentes, o que dificultava muito, pois tínhamos 40 alunos em um local e 40 em outro. Esses locais ficavam distantes e se gastava de dez a vinte minutos para chegar de um lugar ao outro, o que dificultava, pois os professores ficavam cansados e inseguros, embora os alunos fizessem questão de acompanhá-los na troca de horários, afim de acalmar qualquer tenção.

Envolvidos pelo medo ou preconceito vários foram os casos de professores que vieram apenas uma vez e nunca mais voltaram ou que quando contratados, ao saber que trabalhariam no Morro Papagaio, abandonavam o cargo. Lidar-se com a violência sempre foi um dos desafios desse projeto, algumas vezes tiroteios violentos interrompiam o andamento das aulas, pois os alunos e o professor tinham que se abaixar para não serem atingidos.

Uma das melhores coisas que aconteceram no projeto foi a transferência das duas turmas do Pré-Vestibular para um mesmo local, a Escola Estadual José Carlos Guaraná Menezes, era uma escola segura e os aluno tinham um ótimos espaço. O ambiente era tranqüilo pois somente o Pré-Vestibular funcionava lá a noite. Atualmente as aulas são na Escola Estadual Dona Augusta Gonçalves Nogueira.

Durante esses seis anos de trabalho o Pré-Vestibular Comunitário, recebemos em torno de seiscentas inscrições, nem todos chegaram a começar o curso e alguns que começaram desistiram, no entanto dos que ficaram e persistiram o Projeto já aprovou cerca de 200 alunos.

Os alunos atendidas por esse Projeto, além das dificuldades financeiras, contam também com a herança da precariedade do ensino público a que tiveram acesso, ensino este que não os preparava e até mesmo hoje não os prepara para a universidade.

A nossa esperança e objetivo do projeto é que a ciência que cada um desses alunos, universitários, oriundos do projeto estão aprendendo, possa ser num futuro breve, aplicada no desenvolvimento e melhoria da comunidade. Acreditamos que se a comunidade obtiver profissionais oriundos dela mesma, atuando na escola, na saúde, na assistência social, no planejamento civil, etc... A melhoria de tais serviço seria a configuração do respeito à cidadania dos moradores e a restituição da paz em uma comunidade violentada pelo descaso e a exclusão. Uma instauração de um novo tempo que embora utópico é revolucionário e promissor.

As parcerias que abrasaram esse projeto são muito significativas. Contamos com o apoio dos Maristas, da PUC-Minas, do Vicariato Arquidiocesano e da Paróquia Nossa Senhora do Morro, que manteve por todos esses anos, através das Obras sociais Nossa Senhora do Morro, um coordenador para o projeto, além de Oferecer toda a sua estrutura e infra estrutura disponível.

A coordenação do projeto é composta por seis integrantes que se revezam entre as várias necessidades do projeto. Há uma equipe de dez professores, sendo nove para cada matéria específica do vestibular e um exclusivamente dedicado as áreas exatas, atualmente em temas transversais. O Projeto possui também um espaço para a discussão de temas voltados a negritude e cidadania compondo um momento de formação e engajamento muito importante para nossos alunos.

Outro fator muito relevante é que através deste projeto esta sendo resgatada a auto estima não só dos alunos que passam a acreditar mais em si mesmos, mas da comunidade em geral que se percebe em processo de melhora e desenvolvendo-se , pois o Projeto esta criando algo que até então não existia, que é oportunidade.

Assim como várias pessoas passam a se achar capazes e passam no vestibular, essa auto estima juntamente com a vitória de estar na faculdade, é algo contagiante e envolvente, pois parentes e amigos do novo universitário passam a acreditar em si mesmos e lutar pelos seu sonhos. Os efeitos positivos deste Projeto são uma espécie de "corrente do bem", corrente que tem conseguido aos poucos amarrar grandes vilões da paz, como o desemprego e a ausência de perspectivas, que levam a muitas pessoas a perderem o gosto pela vida e cair na criminalidade.

Outro fato muito importante é que o projeto não tem criado oportunidade apenas para as pessoas que moram no Aglomerado Santa Lúcia. Ele tem sido esperança para pessoas com dificuldades financeiras dos bairros vizinhos, que trabalham ou moram no trabalho. Domésticas que perderam o medo e passaram a subir o morro para melhorar de vida, é uma cena comum desde o início do projeto. Um aspecto interessante é que antes, para se promover, os moradores desciam o morro, hoje ao contrário as pessoas de fora, sobem o morro para se promover. A promoção social passou a ser buscada no Morro

 

Texto: Juvenal Lima Gomes
Coordenador do curso entre 2001/05
(juvenal@morrodopapagaio.org.br


 
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